Metodologia

Para o NESIC/INTECOOP, a incubação tecnológica de cooperativas populares é um processo pedagógico, mediado pelo uso de tecnologias sociais, que visa apoiar a formação e consolidação de empreendimentos econômicos associativos autogestionários (solidários), potencializando a reprodução ampliada da vida e a produção de práticas sociais emancipatórias.

A metodologia tem como princípio a interação horizontal entre empreendimentos e equipes de incubação, em que a produção e a troca de conhecimentos estão no centro desta relação. Os princípios defendidos pela incubadora neste processo, que são indissociáveis entre si, são os seguintes:

As categorias teóricas principais e as tecnologias sociais que inspiram a incubação no NESIC/INTECOOP são:
(a) A educação popular, alicerçada na perspectiva de Paulo Freire, como proposta pedagógica transformadora, em que a aprendizagem é vista como um processo de construção coletiva, de caráter cooperativo e libertador.
(b) A pesquisa-ação, alicerçada na perspectiva de Henri Desroches, como proposta de construção cooperativa do conhecimento e das soluções aplicada à realidade concreta.
(c) A adequação sócio-técnica, alicerçada na perspectiva de Renato Dagnino, como proposta de desenvolvimento de soluções tecnológicas adequadas à autogestão dos empreendimentos e à sustentabilidade.

Outras categorias e tecnologias, como os “grupos operativos” (Pichón-Riviére), a “intervenção sociológica” (Alain Touraine) ou o “cooperativismo articulado” (Pe. Arizmendiarrieta) são elementos teóricos que se encontram em fase de exploração e experimentação.
São momentos do processo e da rotina da incubação:

I. Seleção e formação de monitores

Anualmente, o NESIC promove um Curso de Formação de Monitores cujo objetivo é preparar os interessados para a ação de incubação. Ele é aberto aos estudantes da UCPEL, UFPEL e IFSUL, e consta de dois ciclos, de 20 e de 40 horas, respectivamente. No ano de 2009 as taxas de inscrição foram de R$ 20,00 para cada ciclo e houve 54 inscritos para o I Ciclo e 37 para II Ciclo.

II. Seleção dos grupos a serem incubados

Sempre que há equipes disponíveis para iniciar um projeto de incubação, o NESIC publica um edital de inscrição para os grupos interessados. A inscrição é gratuita (como toda a incubação) e os requisitos são a existência de um grupo prévio de 7 (sete) pessoas, que podem ou não estar empreendendo economicamente, e que estejam dispostas atrabalhar sob autogestão.

Encerradas as inscrições, os grupos são visitados e a partir de um diagnóstico rápido participativo procede-se a uma avaliação seletiva, que indicará o(s) grupo(s) a ser(em) incubado(s).

III. Pré-incubação

O processo de mútuo reconhecimento (pré-incubação) entre grupo/empreendimento e equipe de incubação é mediado por quatro atividades principais: pré-estudo de viabilidade econômica; diagnóstico preliminar da dinâmica interna; oficina sobre economia solidária e incubação de cooperativas; construção do projeto dinâmico de incubação.

IV. Incubação

A partir das necessidades e demandas identificadas e das prioridades e metas estabelecidas no projeto dinâmico de incubação, é dado início a um processo dinâmico de ensino-aprendizagem que vincula conhecimentos práticos e teóricos (sejam originados dos grupos, sejam da equipe de incubação) aos objetivos da incubação.

A incubação:

V. Avaliação e re-planejamento

O processo de incubação pressupõe a avaliação constante e sistemática de seu desenvolvimento, o re-ajustamento – a cada período – das prioridades e metas estabelecidas no projeto.

VI. Desincubação – interrupção ou graduação

Sob duas situações o processo de incubação pode ser descontinuado:
(a) Quando um dos parceiros do processo (o grupo/empreendimento ou a equipe de incubação), ou ambos, julga que há prejuízo insuperável na relação construída entre esses coletivos. Os fatores que podem provocar esta situação são muitos e variados.
(b) Quando ambos os parceiros acordam que a incubação já não se tem sentido como processo de criação e consolidação do empreendimento, que se encontra já definitivamente consolidado.

Na primeira situação, a incubação é interrompida, embora possa ser retomada em caso de re-avaliação da parte que decidiu pelo encerramento. Na segunda situação, a incubação é dada como finalizada, mas o empreendimento pode continuar demandando auxílio à incubadora, ao mesmo tempo em que a incubadora pode seguir demandando participação em projetos relacionados ao empreendimento.

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